Associação critica juros no cartão de crédito

07/12/2016 - 16h24

Associação critica juros no cartão de crédito; empresas citam inadimplência

Debate na Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor discute motivos que levam a taxas mais altas no Brasil em comparação com outros países

 
Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre a regulamentação do limite máximo dos juros no rotativo do cartão de crédito
Audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor discutiu os juros no cartão de crédito

A Proteste, associação de defesa do consumidor, defendeu em audiência na Câmara que os deputados aprovem a limitação dos juros do cartão de crédito. O representante da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Ricardo Vieira, disse que a medida restringiria o acesso aos clientes de baixo risco, ou seja, aos mais ricos.

Durante debate nesta quarta-feira (7) na Comissão de Defesa do Consumidor, o representante da Proteste, Antonio Henrique Lian, sugeriu limitar os juros do cartão de crédito ao dobro do custo dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI), que poderia ser identificado como o custo básico do dinheiro para os bancos. Segundo ele, isso levaria hoje a uma taxa de 28,2% ao ano, contra uma média de juros de 433% ao ano dos cartões.

Lian lembrou que os juros dos cartões no Brasil são os maiores da América Latina. O segundo colocado, o Peru, tem taxas de 43,7% ao ano em média. O banco que cobra mais caro, no Brasil, pratica 1.158% ao ano.

Matemática financeira
O representante da Abecs, Ricardo Vieira, disse que estas taxas de 400% ou 1.000% não existem porque o consumidor fica, em média, apenas 15 dias por ano no rotativo. Ou seja, para dívidas mais longas, ele procuraria alternativas.

“É um exercício de matemática financeira, porque nenhum brasileiro fica 12 meses [pagando juros] no cartão. A gente pega uma taxa, anualiza e chega a 1.200%, mas a taxa não existe na prática. Ninguém pega um táxi e vai para Manaus, a gente pega um avião.”

Pagamento mínimo
O representante da Secretaria Nacional do Consumidor, Gustavo Gomes, criticou o percentual atual de 15% para o pagamento mínimo da fatura mensal. Segundo ele, o total deveria ser maior para desestimular o uso do crédito rotativo.

O deputado Severino Ninho (PSB-PE) defendeu o fim da parcela mínima como forma de forçar o consumidor a se planejar. “Se é bom, porque não se paga 15% do aluguel, da conta de luz, de água, do condomínio? Se isso é bom para o consumidor, vamos permitir que se pague 15% de qualquer fatura. Por que só cartão de crédito?”

Determinantes da taxa
Tanto Ninho quanto o presidente da comissão, deputado Marco Tebaldi (PSDB-SC), insistiram em saber por que a taxa brasileira dos cartões é tão alta.

A resposta Ricardo Vieira, da Abecs, foi a de que o Brasil tem vários serviços que outros países não têm necessariamente, como um período de até 45 dias sem juros, o preço parcelado sem juros e o risco total da empresa de cartão em caso de inadimplência.

Outro fator, continuou Vieira, é a inadimplência – atualmente em 37% do volume de crédito concedido. Dados da Confederação Nacional do Comércio mostram que, entre as famílias endividadas, 77% dizem que a dívida principal é com cartão de crédito.

Um projeto que estabelece limites para juros do cartão de crédito está pronto para votação no Plenário do Senado (PLS 407/16). Se aprovado, o texto virá para a Câmara.

Reportagem – Sílvia Mugnatto
Edição – Ralph Machado
Origem da Imagem/Foto/Fonte: Agência Câmara Notícias
 
 

 

Notícias

Condição de franqueada não impede relação de emprego com franqueador

Condição de franqueada não impede relação de emprego com franqueador  2/6/2011 16:37 A 5a Turma do TRT-MG julgou desfavoravelmente o recurso de uma escola de línguas que não se conformou com o reconhecimento da relação de emprego com uma franqueada. É que os julgadores constataram que, embora...

Substabelecimento sem data não caracteriza irregularidade

Extraído de Direito Vivo Substabelecimento sem data não caracteriza irregularidade 3/6/2011 16:53 A Parmalat Brasil S.A. - Indústria de Alimentos conseguiu obter na sessão de ontem (2/6) da Subseção 1 Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho o reconhecimento...

ALTERAÇÃO PROCESSUAL

  Juiz das garantias do novo CPP é arbitrário Por Carlos Frederico Coelho Nogueira   A figura do “juiz das garantias” foi introduzida na redação final do Projeto de Lei 156/2009, aprovada pelo Senado, (Capítulo II do Título II do Livro I, artigos 14 a 17), e encaminhada no início deste...

Empregado público pode acumular salário e subsídio de vereador

Extraído de: Tribunal Superior do Trabalho - 1 minuto atrás Empregado público pode acumular salário e subsídio de vereador Ao rejeitar recurso de revista da Caixa Econômica Federal, a Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho reconheceu a possibilidade de uma bancária continuar recebendo,...

Por uma Justiça eficiente

  PEC dos Recursos aumenta a segurança jurídica Por Cezar Peluso   Minha proposta de emenda constitucional conhecida como PEC dos Recursos ataca frontalmente dois dos mais graves, se não os dois mais graves problemas do sistema judicial brasileiro: a lentidão dos processos e a...

CNI contesta obrigatoriedade imposta à indústria automobilística

Segunda-feira, 06 de junho de 2011 CNI contesta obrigatoriedade imposta à indústria automobilística   A obrigatoriedade de inserção de uma mensagem de caráter educativo na publicidade de produtos da indústria automobilística, introduzida no Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/97)...