Ilegalidade do aborto prejudica mulheres pobres

 

COMISSÕES / DEFESA DA MULHER
18/08/2011 - 13h19

Movimento de mulheres critica projetos de lei contrários a interesses femininos

 
 

Um dia após a "Marcha das Margaridas", a Subcomissão Permanente em Defesa da Mulher trouxe ao Senado, nesta quinta-feira (18), participantes do movimento para debater os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Queixas contra projetos de lei em tramitação no Congresso apontados como contrários aos interesses femininos - em especial à prática do aborto - pontuaram a discussão sobre esses temas, requerida pela senadora Lídice da Mata (PSB-BA), vice-presidente da subcomissão.

A representante da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Silvia Camurça, foi quem primeiro protestou contra essas propostas. Inicialmente, ela criticou tentativas de mudanças na Lei Maria da Penha, que poderiam levar a um retrocesso em sua aplicação. Em vez de alterações no texto, Camurça defendeu o reforço nas verbas públicas destinadas ao combate a atos de violência contra a mulher.

A questão do aborto surgiu logo em seguida, durante abordagem sobre projetos que tangenciam os direitos reprodutivos. A lista de propostas rejeitadas pela AMB inclui a tipificação do aborto como ato de tortura e seu enquadramento como crime hediondo; a proibição de aborto mesmo em caso de risco de vida para mãe ou de estupro, práticas hoje legalizadas; a criação da "bolsa estupro", uma ajuda financeira às mulheres estupradas que decidirem manter a gravidez; e até a derrubada de norma do Ministério da Saúde com orientações sobre atendimento a vítimas de violência sexual e prevenção à gravidez indesejada.

Direito ao corpo

Ao condenar a forma como o Congresso conduz a discussão sobre o aborto, o movimento reclamou da tentativa de se usurpar das mulheres o direito de decidir sobre sua vida, a maternidade e o próprio corpo. Essa consideração partiu da representante da Marcha Mundial das Mulheres, Sônia Coelho Orellana, e contou com o respaldo da representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Rosane Silva.

- Por que outros tentam decidir por nós aquilo que nós sabemos melhor sobre nós mesmas? Por que somos consideradas irresponsáveis na hora de tomar decisões? - indagou Sônia Coelho.

Interrupção

Rosane Silva considerou importante o Senado e a Câmara aprovarem leis que conferem direitos à maternidade. Mas reivindicou medidas de proteção às mulheres que engravidaram e querem interromper a gravidez por não se sentirem prontas para serem mães. Ainda nessa linha de argumentação, ela alertou para o fato de que as mulheres trabalhadoras e pobres continuam a morrer país afora por abortos mal feitos.

Raiz da discriminação

Para Lídice da Mata, o debate sobre o "pertencimento do corpo" está na raiz de toda a discriminação contra as mulheres. A parlamentar disse acreditar que a discussão sobre a legalização do aborto no Congresso deve ocorrer com a mesma liberdade conferida aos demais temas de repercussão nacional.

Já a presidente da subcomissão, senadora Ângela Portela (PT-RR), assinalou conquistas desta quarta edição da Marcha das Margaridas, como um acordo com o Ministério da Saúde nas áreas de gênero, saúde sexual e direitos reprodutivos. Esses avanços também foram saudados pela senadora Ana Rita (PT-ES), que não compareceu à audiência por causa de compromissos em seu estado, mas enviou mensagem aos participantes do movimento.

Simone Franco / Agência Senado
 

 

Notícias

Erro essencial? Juíza nega anular casamento por doença mental da esposa

Caso de divórcio Erro essencial? Juíza nega anular casamento por doença mental da esposa Homem alegou que se casou sem saber de problema psiquiátrico, mas juíza não viu requisitos do CC para anulação. Em vez disso, concedeu o divórcio. Da Redação segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025 Atualizado às...

TJ-MG concede a quebra de sigilo bancário em uma ação de divórcio

Cadê o dinheiro? TJ-MG concede a quebra de sigilo bancário em uma ação de divórcio 4 de fevereiro de 2025, 19h12 Ao decidir, o desembargador entendeu que estavam presentes no caso os requisitos do artigo 300 do Código de Processo Civil para a concessão de pedido liminar: probabilidade do direito e...

STJ: Partilha em que filho recebeu R$ 700 mil e filha R$ 39 mil é nula

Doação inoficiosa STJ: Partilha em que filho recebeu R$ 700 mil e filha R$ 39 mil é nula Relatora, ministra Nancy Andrighi, ressaltou a necessidade de respeitar a legítima dos herdeiros. Da Redação terça-feira, 4 de fevereiro de 2025 Atualizado às 18:04 STJ declarou nula partilha em vida realizada...

Planejamento sucessório: o risco da inércia da holding

Planejamento sucessório: o risco da inércia da holding No universo do planejamento sucessório, a ferramenta que certamente ganhou mais atenção nos últimos tempos foi a holding. Impulsionada pelas redes sociais e por um marketing sedutor, a holding tornou-se figurinha carimbada como um produto capaz...