Indicados ao STJ dizem que Judiciário deve ouvir críticas da sociedade

26/06/2013 - 14h50 Comissões - Constituição e Justiça - Atualizado em 26/06/2013 - 22h13

Indicados ao STJ dizem que Judiciário deve ouvir críticas da sociedade

Simone Franco

A repercussão das manifestações populares no Poder Judiciário e a rejeição da Câmara dos Deputados à PEC 37/2011, que reduzia o poder de investigação criminal do Ministério Público, foram os principais temas abordados na sabatina realizada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), nesta quarta-feira (26), com dois indicados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). A comissão aprovou as indicações da juíza federal Regina Helena Costa e do procurador de Justiça Rogério Schietti Machado Cruz, que seguem, agora, para votação em regime de urgência ao Plenário.

- Ninguém apoia excessos, mas as manifestações de rua dizem que o povo brasileiro está se tornando mais exigente. Há grande insatisfação com o Judiciário e talvez seu maior problema seja, na minha opinião, a morosidade. A celeridade e a eficiência são os grandes objetivos buscados, mas a postura do Judiciário precisa ser mais aberta hoje à sociedade - comentou Regina Helena Costa.

Na avaliação de Rogério Schietti, eventuais descontroles não tiram o significado especial destas manifestações pelo país.

- Cabe a nós saber ouvir e dar encaminhamento a estas reivindicações - afirmou, observando que a criação dos Conselhos Nacional de Justiça (CNJ) e Nacional do Ministério Público (CNMP) contribuiu para a construção de um Judiciário "mais transparente e democrático, que se comunica melhor com a sociedade".

PEC 37

A derrubada da Proposta de Emenda à Constituição 37/2011 nesta terça-feira (25), na Câmara dos Deputados, foi avaliada positivamente pelos dois indicados ao STJ. Embora reconheça a competência da Polícia Civil para conduzir a investigação criminal, a juíza Regina Helena Costa acredita que não se deve afastar outras possibilidades investigativas, principalmente em caso de omissão. 

- A Câmara agiu com propriedade ao rejeitar a proposta, percebendo que sua aprovação iria importar na desproteção da sociedade. Polícia e Ministério Público devem caminhar juntos, e não em pólos opostos - sustentou o procurador Rogério Schietti, questionando as razões que levaram a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a apoiar a PEC 37/2011, alvo também dos recentes protestos populares.

Outros temas

Ao todo, 13 senadores - Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da CCJ; Alvaro Dias (PSDB-PR); Eduardo Braga (PMDB-AM); Pedro Taques (PDT-MT); Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP); Blairo Maggi (PR-MT); Aloysio Nunes (PSDB-SP): Eduardo Suplicy (PT-SP); Pedro Simon (PMDB-RS); Sérgio Souza (PMDB-PR); Armando Monteiro (PTB-PE); Ataídes Oliveira (PSDB-TO) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) - fizeram questionamentos aos indicados para o STJ.

Abaixo, um resumo de outros assuntos em destaque na sabatina da CCJ:

Foro privilegiado para autoridades – Ambos concordam que a prerrogativa não deve ser alargada. Rogério Schietti chegou a defender a redução dos cargos públicos que garantem a seus ocupantes o foro por prerrogativa de função;

Criação de TRFs - Os dois indicados disseram que não é inconstitucional a apresentação pelo Legislativo de proposta de emenda à Constituição (PEC) para criação de Tribunais Regionais Federais (TRFs). Regina Helena Costa reconheceu a incapacidade dos atuais TRFs de enfrentar um elevado volume processual com a celeridade exigida pela sociedade;

Corrupção - Apesar de afirmar que a corrupção afeta todas as instituições, Regina Helena Costa observou que o maior controle sobre os atos do Judiciário pelo CNJ imprimiu maior transparência à sua atuação. Rogério Schietti aproveitou para comentar projeto de lei do senador Pedro Taques (PDT-MT) que enquadra atos de corrupção como crime hediondo (PLS 204/2011). Na sua opinião, de nada adianta esta classificação se não forem implementadas políticas públicas que enfrentem as raízes da corrupção;

Internação involuntária -  Os dois se disseram favoráveis à medida, desde que adotada com cautela e com respaldo da família do dependente químico e de profissionais da área médica. Para Rogério Schietti, o Estado tem o dever de intervir nas hipóteses em que o dependente químico chegou a perder a noção da gravidade de sua situação, mas precisa estar mais bem preparado para prestar este atendimento.

 

Agência Senado

 

Notícias

Comportamento descortês

Atitude de presidente do CNJ sobre uso de terno irrita presidente da OAB-MS Campo Grande, 25/06/2011  A atitude do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Cezar Peluso, causou revolta entre advogados de Mato Grosso do Sul. Motivo: na sessão...

Jurisprudência do STJ beneficia portadores de HIV

26/06/2011 - 10h00 ESPECIAL Jurisprudência do STJ beneficia portadores de HIV A Aids, doença infecciosa e ainda sem cura, foi descoberta há 30 anos. De lá para cá muita coisa mudou. Novos medicamentos foram desenvolvidos, o tempo de vida aumentou e a Aids passou a ser considerada doença crônica...

União homoafetiva: Informações importantes para lavratura da escritura

CNB-SP indica pontos que merecem mais atenção na união estável para casais do mesmo sexo 24/06/2011 | Fonte: Revista Fator Brasil Após a decisão do STF, o número de interessados em informações para lavrar o documento vem crescendo em todo o Estado. Depois da decisão do Supremo Tribunal Federal...

Sublocação de imóvel representa risco para locador e locatário

Sublocação de imóvel representa risco para locador e locatário Imaginando a facilidade e a desburocratização, muitos inquilinos de comerciais optam por sublocar um espaço em vez de negociar diretamente com o dono do imóvel. A prática é comum no caso de franquias em shopping center. Já o inquilino...

STF concede liminar para devedor de pensão alimentar

Terça-feira, 21 de junho de 2011 2ª Turma concede liminar para devedor de pensão alimentar A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou, nesta terça-feira (21), que a incapacidade econômica é base para evitar a prisão civil do devedor de pensão alimentícia. A Turma determinou a...

Cooperativa não pode acionar em nome próprio direito de cooperados

22/06/2011 - 07h55 DECISÃO Cooperativa não pode acionar em nome próprio direito de cooperados As cooperativas não têm o poder de substituir seus cooperados em processos judiciais do interesse destes. Para a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o caráter da cooperativa, de sociedade...