Senado decidirá se legaliza sociedade de interesse comunitário

Segundo o seu autor, Wilder Morais, a proposta contribui para tornar as empresas “ferramentas efetivas da promoção do bem-estar social”  Pedro França/Agência Senado

Senado decidirá se legaliza sociedade de interesse comunitário

  

Teresa Cardoso | 11/01/2016, 16h36 - ATUALIZADO EM 11/01/2016, 17h21

O Senado vai decidir se altera o Código Civil para permitir que sociedades empresariais possam ser enquadradas como sociedades de interesse comunitário. A ideia é do senador Wilder Morais (PP-GO), para quem a iniciativa significará importante avanço no direito societário brasileiro, beneficiando consumidores, meio ambiente e trabalhadores.

O projeto (PLS 788/2015) acrescenta um artigo ao Código Civil para estabelecer que as empresas constituídas como sociedade limitada ou anônima poderão requerer junto aos órgãos de registro público de empresas mercantis o enquadramento como sociedade de interesse comunitário.

Com isso, além das atividades previstas no estatuto social, essas sociedades poderão desenvolver ações voltadas à promoção do bem-estar da comunidade em que atuam, em âmbito local e global. Elas também deverão observar regras específicas de transparência e governança, a fim de garantir um maior controle social sobre suas atividades.

Entre as atividades dessas sociedades, serão incluídas medidas voltadas à promoção do meio ambiente; da defesa do consumidor e da livre concorrência; da defesa de bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico, paisagístico e urbanístico; dos interesses difusos ou coletivos; da honra e da dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos; do patrimônio público e social; e dos interesses dos seus trabalhadores e fornecedores.

Ao justificar o projeto, Wilder Morais afirma que essa é uma iniciativa que vem prosperando em diferentes países. Ele menciona a criação, no Reino Unido, da chamada community interest company e observa que, nos Estados Unidos, espraiou-se na última década o modelo da benefit corporation.

—Apesar de guardarem particularidades, essas novas formas societárias possuem um mesmo objetivo: transformar empresas em ferramentas efetivas da promoção do bem-estar social. Para tanto, a esses novos tipos societários é atribuída a missão de gerar impactos positivos na comunidade em que se inserem, em esferas como meio ambiente, direitos do consumidor e relações trabalhistas, além de obrigações de transparência e de governança corporativa — afirma o senador.

Wilder também diz que o Chile e a Colômbia já adotam medidas para autorizar a constituição desses novos tipos de sociedade, que se voltam simultaneamente a auferir lucros e a promover o bem comum, “conferindo um caráter humanista ao capitalismo”.

O projeto se encontra na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), mas ainda não tem relator. Ali será votado em votação terminativa.

 

Agência Senado

 

Notícias

Divórcio potestativo sob a perspectiva jurisprudencial

Com Partilha Divórcio potestativo sob a perspectiva jurisprudencial Marília Mello de Lima 9 de outubro de 2025, 8h00 Há julgados recentes, inclusive do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que o divórcio pode ser decretado antes mesmo da citação da parte requerida. Leia em Consultor...

Doação verbal exige escritura pública para validade do ato, diz TJ-BA

Usucapião afastado Doação verbal exige escritura pública para validade do ato, diz TJ-BA 8 de outubro de 2025, 12h19 O julgador explicou que a ocupação do imóvel — ainda que por um longo período de tempo — ocorreu por mera liberalidade da proprietária. Leia em Consultor...

STJ valida filiação socioafetiva post mortem sem manifestação expressa

Família STJ valida filiação socioafetiva post mortem sem manifestação expressa 3ª turma reconheceu vínculo de filha criada desde a infância, ainda que falecidos não tenham formalizado adoção. Da Redação terça-feira, 7 de outubro de 2025 Atualizado às 18:55 Por unanimidade, 3ª turma do STJ...

Renúncia à herança e sua extensão a bens descobertos posteriormente

Opinião Renúncia à herança e sua extensão a bens descobertos posteriormente Mathias Menna Barreto Monclaro 7 de outubro de 2025, 7h01 Não se deixa de reconhecer que, em certos contextos, a rigidez da solução pode suscitar debates sob a ótica da justiça material, sobretudo em heranças complexas, em...